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VIII
Horror · Atmosfera

Os Sugadores de Almas

 Estava no elevador do meu prédio para voltar para minha casa, só mais um dia de trabalho, sempre o mesmo, sentia-me exausta a semana estava a acabar e só faltava o elevador subir para me sentar no sofá e relaxar.
 Demorando tanto tempo, o elevador abriu-se e vejo pessoas a entrar, muitas pessoas, vejo luzes comerciais atrás delas e nada mais. Começo a suspeitar que me enganei de tão cansada que estava. Afinal, de alguma forma o meu elevador do prédio me levou para o metro, ou será que me imaginei-me no elevador de casa enquanto estava no do metro?
 Quem sabe.
 Estava no metro de New J.
 Começara a anoitecer e multidões a voltar para as suas casas, durante essa viagem e a altura do ano, tudo se vê um pouco nestes metros, festas, bêbados, adolescentes, adultos, idosos, tudo de bom e de nada.
 Numa das superfícies onde ligava as 11 linhas, havia um festejo de uma universidade, onde Linda estava presente também.
 Num dia comum, igual ao ontem e provavelmente ao de amanhã, houvem-se sons fortes, gritos e começam uns tremores de terra, onde os candeeiros daquela grande divisão quase que caem, ficaram pendurados por um frágil fio; pessoas gritam de pavor, crianças choram pelo colo de uma mãe que desaparecera em completo pânico, luzes a piscarem, um alvoroço e um batido de sons misturado com uma grande porção de confusão.
 De repente, todos os que ficaram naquela grande divisão, sentem um silêncio incomodo ao momento e houvem uma voz obscura e imponente.
 “Procurem-nos a todos, tiveram tempo suficiente para melhorarem, entretidos nas suas vidas ridículas, esqueceram-se do que era importante, então, AHAHA! vamos comer”
 RonnieDark chegou.
 O grande e verdadeiro sugadores de almas afinal existia, e era um cumpridor das trevas.
 Houviam-se histórias de terror sobre Ronnie mas eram crenças populares ignoradas pela sociedade.
 “Vao, tragam-me todos, grandes, pequenos, velhos, novos, tudo. Este agora é a nossa vez e acabou de começar, vão já!"
 As pessoas ao sentirem pavor novamente, começam a fugir, umas fogem, outras escondem-se e outras mantém-se imóveis.
 Bem, creio que as que correram, foram como pequenos animais para o grande leão, que gosta de comer e caçar.
 Eu não me apercebi realmente o que aconteceu, foi tanta coisa junta, tantos sons, cores e uma displasia da realidade que simplesmente pensei em sentar-me numa grande caixa de madeira e pensar no meu próximo passo, mas sabia que tinha que ser rápida, ao mesmo tempo, não podia deixar aquelas pessoas sozinhas, aquelas crianças, idosos, tudo, mas sabia que não tinha maneira de os ajudar, nem de me ajudar, não me conseguia mexer.
 De repente, no meio daquela confusão, vejo um homem com cores de uma nódoa negra, aquele roxo temido, com uns cabelos grisalhos, despenteados, de um ar temível, gloriando-se e fazendo pequenos movimentos parecendo festejos, segurava um pedaço de pau que parecia usar como bastão ou bengala, não olhei muito pois estava com muito medo, a sua pele era muito enrugada e aquilo tudo era muito muito assustador.
 Até que vem até mim.
 Encosta a sua boca no meu ouvido, como se me tivesse a dizer algo, nesse preciso momento, sinto-me a ser puxada, um arrepio completo por todas as células do meu corpo, um ardor, sentia-me meio sob efeitos de álcool ou droga, senti-me atordoada, e completamente fraca, mas ainda estava no meu corpo.
 Ele, o chefe daqueles seres que volitavam de pessoas em pessoas, veio ate mim, e tentou sugar-me. Pensado que já havia conseguido, fiquei a bambear a minha cabeça como um ato involuntário do meu corpo.
 Eram caçadores de almas, de séculos em séculos vinham a terra roubar almas para as escravizar, como um castigo por o ser humano desperdiçar a sua vida, com os mesmos erros nas mesmas situações, iguais século após século.
 RonnieDark era um agente, não divino, mas das grandes e temíveis trevas.
 Neste grande pátio, onde os gritos acalmaram, haviam pessoas, eles não roubavam a alma de todos, apenas dos mais fúteis e materialistas, hoje em dia quem não o é? Pensava eu, naquele estado atordoado mas consciente ouvindo tudo ao meu redor.
 Deixavam as pessoas mais pobres vivas, pois estas não lhes serviam de nada.
 Quem sabe? A probreza não fosse já o seu castigo.
 Atrás de um grande painel plastificado de publicidade encontram-se umas cheerleaders, adolescentes, e a frente delas na sua diagonal para ser mais precisa, estava eu sentada naquela grande caixa, ainda sentada mas embebida naquele estado satírico, de uma irrealidade absoluta.
 Até que veio até mim novamente, enquanto estava distraída vendo ás cheerleaders a serem consumidas.
 “Rrrrr! Curioso, porque não conseguimos esta?”
 De repente, toda a sua legião vejo até mim, sentiam-me apenas viva e consumida por um grande medo.
 “Chefe, chefe podemos tentar????”
 Gritavam numa voz e uma entoação assustadora parecia um coro de medo.
 Calaram-se, estava de cabeça baixa, não a conseguia segurar, só via pelo canto do meu pequeno e acinzentado olho o que estava a acontecer, mas não suportei e fechei os olhos.
 Senti uma sensação de ardência, como se o meu corpo me estivesse a atacar por dentro, senti pedaços de pele a serem desfeitas em pó, sangue de feridas abertas pelas garras daquelas coisas que estavam ao meu redor, toda eu estava ferida, estavam a tentar corromper-me, não conseguiam sugar a minha alma, queriam que eu suplicasse pela minha morte.
 Risos de maldade, gemidos de prazer, RonnieDark mandou-os parar, caí para o chão e a única coisa que conseguia fazer era respirar.
 Todo este massacre parou, quando abri os olhos parecia que nada tinha sido real, se não estivesse tão ferida, sentido-me quase fora de mim, se não estivessem corpos de pessoas mortas no chão, arrocheados e enrugados como a pele daqueles trastes!
 Ouvem-se ambulâncias, polícias, até militares, voltei a ouvir a vida que estava ao meu redor, a confusão que começou novamente, de súplicas de ajuda, gemidos de medo, um todo terrível.
 Ninguém queria acreditar no que havia acontecido naquele “só mais um dia”.
 Não existiam gravações, todo o sistema elétrico há exceção das luzes a piscarem estava desligado, disfuncional.
 Quando voltei para casa, após umas semanas no hospital para curar o meu corpo senti que a minha mente estava repleta de chagas, não sei o que me fizeram, não sei quem eram e porque violentaram o meu corpo.
 Perdi-me nas garras daqueles seres, a minha mente estava corrompida, mas o meu coração era fiel a minha alma, creio que foi isso que me manteve viva.
 Agora fui. Não sei se voltarei, sei o que vivi e o que nunca mais quererei viver.
 Todos os dias não são só mais um dia, nunca mais.
 Abstract Linda;